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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Genuína Cultura Nordestina

Saudações Virtuais, Senhores e Senhoras.


Vamos ver se consigo pegar o pique desses blogs e "tentar" publicar alguma coisa interessante (ou pura besteira) aqui nesse espaçozinho "cyber-humano"


Segue o poema ganhador em 2° Lugar no XI EREL (09 a 12 de abril - UEFS), que compõe a antologia "Línga na boca do povo", com poemas reunidos do concurso.



Genuína Cultura Nordestina

(Rubervânio Rubinho Lima)

A cultura popular, na expressão da palavra,
Não é apenas uma mera manifestação
De um pequeno grupo, coisa isolada,
Mas trata-se de algo maior, além da definição.

Coisa que nasceu nos emaranhados
Dos bilros e do tear, na “Mulé Rendeira”,
No “sertão das muié séria e dos homi trabaiadô”,
No Baião do Gonzagão, no fuá e na lasqueira...

Uma expressão genuína, um menino novo...
É coisinha nordestina, da gente, do povo,
É poesia inventada, é repente, é peleja,
É cantoria de embolada, é casinha sertaneja.

Na “sala de reboco”, a sanfona traz renovo,
A buchada, o bode, a cachaça, a farinha,
A rapadura, a carne seca, o leitão novo,
É festa na roça, é “peixeira” na bainha...

As coxas roçam, no “tilintin” do caquiado
E o xote brinca solto, que nem cabrito no cercado...
A banquinha na feira se abre, o cordão é estirado,
E o cego Aderaldo verseja e canta aprumado.


O foguinho no fifó dança na noite, o sertão está tranquilo,
E a casinha é alumiada, pras histórias de Trancoso.
O contador traz Lampião, “Padi Ciço”, Malazartes, João Grilo,
E nos leva para ver o mundo, no Pavão Misterioso...

O trovão, Corisco acende, “O sertão vai virar mar!”
E a água quando vem, traz verdeza pra lascar...
“E a Asa-Branca ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas e vortó pro meu sertão”.

Povo valente, “sertanejo é antes de tudo um forte”.
José Lins, Raquel de Queiroz, Graciliano
José Américo de Almeida, a Bagaceira abre o plano
É um Fabiano, uma Baleia, um povo fugindo da morte,

É cangaço, é papo-amarelo, parabelum, chapéu virado,
É O Cabeleira, Lucas de Feira, Antônio Silvino,
Jesuíno Brilhante, Lampião, o rei do sertão e seu destino,
É a poesia, mantendo vivo esse reinado...

Coisas como o repente, o cordel, a xilogravura,
São exemplos de expressões da nossa cultura.
Tendo a oralidade como principal característica desse jogo,
Essa arte nordestina está “Na boca do povo”.

Essa magia conquistou os intelectuais.
Na academia, a cultura nordestina é vedete,
Patativa, Zé Limeira, têm exemplos até demais
Que ganham o mundo, com o cordel na internet.


4 comentários:

P. disse...

Rapaz, se eu fosse mencionar todos os elementos que visualizei mentalmente, nem cabia aqui. Acho que basta dizer que aqui no Rio, no Centro Luís Gonzaga de Tradições Nordestinas, me fascino de tal forma que, lá dentro, de carioca passo a ser nordestina, como que a sentir saudade de algo que nunca tive.
Devo dizer também que meus pais são nordestinos e que, quando era criança, passei um mês no sertão, a sujar os pés com aquela areia vermelha, conhecendo as minhas raízes e testemunhando a força do sertanejo, que posteriormente testemunhei também como aluna de teatro, lendo e representando O Alto da Compadecida e, principalmente, Morte e Vida Severina.
Por fim, após tantas lembranças, gostaria imensamente que um repentista muito arretado transformasse esta poesia fantástica em música :D
Descreves bem demais sobre a sua terra, Rubinho. Parabéns!

P. disse...

Agora, comentando seu comentário: rs

Oxi, vasculhaste minhas crônicas? Obrigada pela atenção e novamente pelos elogios, ainda mais de quem escreve coisas fantásticas como esta poesia! :)

Quando você falou dos adolescentes, me lembrou de um texto que li pela primeira vez aos 13, 14 anos, mas que, mesmo compreendendo seu conteúdo, não conseguia "sentir". Na leitura seguinte, aos 18, (era um livro didático de Português da época do ginásio, que julgava perdido), ele fez todo o sentido. Tem coisa que a gente só compreende quando vira adulto ou amadurece antes da hora.
O texto: http://delirioemprosa.blogspot.com/2008/10/quando-se-jovem-e-forte.html

Este blog é meu; desenvolvi-o exclusivamente para publicar fragmentos de livros que leio e me chamam especial atenção. Acredito que ele tem certa relação com isto que estamos falando a - imaturidade da - juventude.

Abraços!

P. disse...

Ah, esqueci das considerações finais!

(Leitura = zero)
(Pensar = zero)
(Video-game, pagode, pegar as nêga, cabeça vazia = dez)
Nossa, ri muito disso, principalmente do "pegar as nêga"... Mas fazer o quê, né?, se não raro é verdade?
Mas isso de gostar de literatura é algo que, se não for sorte, não sei bem o que seria, num país em que o incentivo para tal não existe. Se um professor de de português não solicitasse à classe a leitura de um infanto-juvenil na 5ª série e se eu não tivesse pegado gosto pela coisa, só teria lido novamente no alto do ensino médio, pra fazer prova de literatura - e não duvido que muitos só leiam em tais condições.

Mas ainda tenho muito o que aprender nesse ofício-que-não-é-ofício de escrever, principalmente no que diz respeito à gramática. Todavia, eu me esforço, rs

Abraços!
Espero que você não se importe com tantos comentários meus seguidos. rs

Hammelinn disse...

Muy bueno tus poemas amigo !!!
continue por este camino ,
yo no conozco ucho sobre la cultura del nordeste, pero parece que es interesante.
Yo estudié Antropología unos años y me interesan todas las culturas por igual,
pero es bueno conocer las que tenemos más cerca,
Parece lógico que sea así, pero no lo es siempre, ya que estamos bombardeados por la "cultra" Yanki.

un Abrazo Grande ...
de Montevideo
Uruguay ...

Hammelinn

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